Os Santanas que não tivemos no Brasil

 

No Brasil, o Santana foi um sucesso de vendas da Volkswagen, especialmente entre os taxistas, pois, em seus últimos anos de fabricação era o sedã médio mais barato do mercado nacional, oferecendo bom espaço custando um pouco mais do que os sedãs compactos. Baseado na segunda geração do Passat e com opções de sedã de 2 ou 4 portas e perua (Quantum), vendeu 550 mil unidades em 22 anos de produção.

Atualmente, o nome sobrevive na China, onde é fabricado ininterruptamente desde 1985. Porém, irá sair de linha em 2022, a fim de dar espaço na linha de produção para os SUVs e elétricos, que são tendência mundial.

Aqui no Brasil, saiu de linha em 2006, sem substituto direto, visto que Polo Sedan era bem menor, Bora era importado, menor e bem mais caro e o sucessor na linhagem, Passat, era importado e voltado ao mercado de luxo.

Como de praxe no mercado automotivo nacional, nem todas as versões disponíveis do Santana chegaram aqui no Brasil. Ficaram de fora versões como a carroceria hatchback e o atual modelo chinês, além das interessantes versões com motor 5 cilindros e até mesmo as peruas com tração integral. Para facilitar o entendimento, nos modelos clássicos adotarei o nome de Quantum para as peruas.

Volkswagen Santana hatchback

Assim como o nosso Passat, o “Santana” Hatchback, que na Europa se chamava Passat, também adotava carroceria com visual fastback, porém com a diferença que a porta traseira se abria junto com o vidro traseiro, sendo tecnicamente um hatchback. Tinha opções de 3 e 5 portas.

Oferecia os mesmos motores do sedã. Ou seja, estavam disponíveis os motores de 4 cilindros da família EA827, conhecidos aqui como AP, de 1,3 a 1,8 litro (60 a 90 cv), os motores de 5 cilindros da Audi, de 1,9 a 2,2 litros (115 a 136 cv), o diesel EA827 de 1,6 litro usado na Kombi (54 cv) e os turbodiesel de 1,6 litro (70 cv sem intercooler e 80 cv com intercooler). Aqui no Brasil poderia usar o AP 1600 de 85 cv, AP 1800 de 94 cv e AP 2000 de 112 cv.

O design da versão de 3 portas parecia uma versão ampliada do Gol de primeira geração e era visualmente bacana. Já o design da versão de 5 portas não era tão bonito, parecendo que fizeram uma edição mal feita de uma Quantum no Photoshop, pois as portas e a parte de baixo da traseira eram exatamente as mesmas, deixando bem desproporcional. Outro ponto negativo foi a manutenção das calhas do teto, que caíam junto com a traseira, que deixou ainda mais feio.

O Santana Hatchback de 3 portas até chegou a ser cogitado para o Brasil como sucessor do Passat clássico, tanto que unidades foram vistas em testes. Acredito que foi cancelado devido ao insucesso do Monza Hatch além da sobrevida do próprio Passat clássico devido às exportações para o Oriente Médio. Aqui no Brasil poderia até mesmo ter uma versão GTS Pointer com o mesmo motor do Gol GTI.

Volkswagen Quantum Syncro

A Passat Variant Syncro, que chamarei de Quantum Syncro, foi uma interessantíssima perua que combinava a mecânica do Audi 80 Quattro à carroceria da Quantum. Tinha como intuito oferecer uma opção mais esportiva e capacidade para enfrentar as nevascas que são comuns na Europa, especialmente nos países do Círculo Polar Ártico.

A Passat Variant Syncro inicialmente era vendida na variante GT, com visual semelhante à Quantum Sport 1990 e tinha motores de 5 cilindros de origem Audi, com 2,0 litros e 115 cv/16,4 kgfm ou 2,2 litros e 136 cv/18,8 kgfm. Depois vinha uma versão de entrada com o 1,8 AP de 90 cv.

A suspensão traseira passava a ser independente por braços sobrepostos e tinha o túnel central alargado para comportar o sistema de tração, visto que o túnel central das versões com tração dianteira serve para abrigar o escapamento e as linhas de freio e a suspensão traseira com eixo de torção não permite que haja rodas de tração. Devido a estas modificações, o estepe passava para a lateral do porta-malas ao invés de ser sob o assoalho.

No Brasil, seria um concorrente forte para a Belina 4x4, com os diferenciais de oferecer tração integral com diferencial central (que permitia o uso na estrada e em curvas) com possibilidade de bloqueio 50:50 e motor mais potente. Aqui certamente teria o 2.0 de 110 cv com álcool ou 99 cv com gasolina, pneus de uso misto e suspensão elevada. Caso a VW conseguisse aplicar reduzida, poderia até mesmo ter o 1.6 diesel da Kombi. Não chegou devido aos altos custos de implementação da tecnologia.

Volkswagen Santana 5 cilindros


A maior estrela do Santana foi o motor de 5 cilindros. Desenvolvido pela Audi com base nos AP de 1,6 e 1,8 litros, era uma forma de oferecer mais potência ao Santana europeu sem apelar para tecnologias mais complexas como cabeçote multiválvulas e mantendo a suavidade típica dos AP 1600 e AP 1800 (especialmente os motores equipados com bielas de 144 mm).

Na Europa eram disponíveis versões de 1,9 a 2,2 litros, com potência variando entre 113 e 136 cv e torque variando entre 16,4 e 18,8 kgfm. O mais potente fazia com que o Santana ultrapasse os 200 km/h, o que era rápido para um sedã médio que não tinha foco em esportividade.

Este motor de 5 cilindros foi base para o motor de 2,2 litros turbo que equipou a lendária Audi RS2 Avant, aclamada até os dias de hoje. Este 2.2 foi o ápice dos 5 cilindros do grupo VW.

Para a América Latina, optou-se pelo desenvolvimento do AP 2000, pois poderia compartilhar mais componentes com o AP 1800 como comando de válvulas, juntas e cárter. Os “AP” 5 cilindros tinham cabeçote exclusivo, o que geraria mais custos na hora de planar ou substituir o cabeçote, além do maior custo que teria com válvulas e tuchos.

Volkswagen Santana 3000 e Vista

Enquanto aqui no Brasil o Santana findou sua vida em 2006 como modelo voltado para frotistas, na China, a vida do Santana seguiu normalmente.

Em 2004 foi lançado o Santana 3000, que era uma evolução do modelo 2000. Adotava uma evolução da frente do modelo nacional de 1999, com faróis com projetores e em peça única, e traseira exclusiva. Além disso, o interior era atualizado, com novos materiais de acabamento e painel de instrumentos semelhante ao Gol “G3”. Oferecia itens que o Santana nacional oferecia no auge como Freios ABS, teto solar e transmissão automática e itens que nunca foram oferecidos como airbag para o motorista e computador de bordo.

Os motores eram o 1.6 de 95 cv e 14 kgfm, 1.8 de 102 cv e 15,8 kgfm e 2.0 de 110 cv e 16,8 kgfm, todos da família EA 113, que é uma evolução dos AP, com atualizações como cabeçote de fluxo cruzado (o AP tem fluxo lateral) e retirada do eixo paralelo que comanda a bomba de óleo. As opções de transmissão são: manual de 5 velocidades e automática de 4 velocidades (o Santana nacional tinha apenas 3 marchas).

O Santana Vista foi lançado em 2008 e é a última reestilização do Santana clássico, com novas lanternas com detalhes que lembram as primeiras Space Fox, grade maior e novos para-choques. Ofereceu até mesmo ar-condicionado digital Climatronic e sensor de estacionamento.

O Santana chinês de segunda geração era maior do que o nacional, com 4,69m de comprimento e 2,69m de entre eixos, oferecendo mais espaço para os passageiros do banco de trás.

Foi uma decisão sensata da VW Brasil ter tirado de linha o Santana em 2006. Ao contrário do que ocorreu na China, aqui no Brasil não conseguia manter-se mais competitivo no mercado nacional.

Volkswagen New Santana

O Santana “clássico” saiu de linha em 2012 e foi substituído por um novo modelo. Ao contrário do modelo antigo que tinha porte médio, este era um sedã compacto alongado, tendo encolhido 22 cm no comprimento e 8 cm no entre eixos, tendo porte semelhante ao Volkswagen Virtus.

O New Santana fazia parte de um projeto de sedã compacto alongado com alcance global capitaneado pela Tcheca Skoda. Este projeto era feito sobre a arquitetura utilizada na quinta geração do Polo e era uma evolução da arquitetura usada no Fox e Polo de quarta geração. Este projeto gerou quatro modelos: SEAT Toledo, Skoda Rapid, Volkswagen New Santana e seu clone Volkswagen Jetta (não o que conhecemos).

O New Santana também gerou uma versão que é intermediário em hatchback e perua, denominado Gran Santana, com uma versão aventureira denominada Cross Santana. O Gran Santana chegou a ser vendido na Europa como Rapid Spaceback.

O motor inicial do New Santana era o 1.6 16v de 110 cv e 15,8 kgfm e depois passou a ser o 1.5 16v de 111 cv e 14,8 kgfm. As transmissões disponíveis são: manual de 5 velocidades e automática de 6 velocidades. Ambos são basicamente o mesmo motor que equipa as versões MSI de Polo e Virtus.

O New Santana chegou a ser cogitado para o Brasil para concorrer diretamente com o Chevrolet Cobalt e Honda City, ocupando a faixa de preço entre Voyage e Jetta, espaço hoje ocupado pelo Virtus. Acredito que no meio do caminho do desenvolvimento da versão nacional houve o início do desenvolvimento do atual Polo e, então, a VW preferiu cancelar o Santana e desenvolver um derivado a partir do Novo Polo, que é o Virtus. Foi uma decisão inteligente, pois o Virtus chegou bem atualizado e o Santana não conseguiria competir hoje com Onix Plus.

Resumindo, os principais motivos de não termos estes Santana foram o custo elevado para a fabricação (Quantum Syncro e Santana 5 cilindros) ou a falta de competitividade (Santana Hatch, Santana Vista, Santana 3000 e New Santana).

 

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