Fiat Uno Ciao é lançado por R$ 84.990 e marca a despedida do ícone

Depois de 37 anos e 4,37 milhões de unidades fabricadas no Brasil e mais de 6,5 milhões fabricadas em torno do planeta, o Fiat Uno se despede do mercado nacional. Lançado em 1984, sucedeu as versões de topo o Fiat 147 e foi o principal compacto da Fiat até 1996, quando lançou o Palio e passou a ser o carro de entrada da Fiat até 2017, que foi quando lançaram o Mobi.

O motivo para a despedida é a inviabilidade de adaptação às novas normas antipoluição que correrão a partir de 2022 e o fato das vendas nos últimos anos estarem em patamares baixíssimos, muito devido ao encarecimento forçado para encaixar o Mobi, que é basicamente uma versão modernizada e reduzida do Uno.

Baseado na versão Attractive, as 250 unidades do Uno Ciao oferecem como principais itens ar-condicionado, direção assistida, vidros dianteiros, travas elétricas, rádio com entrada USB, apoio de braço para o motorista, rodas de liga leve de 14”, faróis de neblina, console de teto e plaqueta numerada de 0 a 250. O motor continua sendo o Fire 1.0 de 75 cv e 9,9 kgfm. Seu preço é de 85 mil reais, 16 mil reais a mais que a versão Attractive.

Acho bacana a iniciativa da Fiat em ter uma série de despedida do Uno, entretanto, pelo valor cobrado, deveria ter um pouco mais de capricho da Fiat, oferecendo pelo menos o motor Firefly, direção elétrica, central multimídia e vidros elétricos traseiros.

O Uno foi um marco histórico na Fiat e na história automotiva do Brasil, muito por ter sido o primeiro carro 1.0 e o primeiro carro turbinado à venda no Brasil. Dentro da Fiat foi o primeiro carro a ter a linha de motores Firefly, mais moderna do que os competentes Fire. Também foi utilizado como pano de fundo para o “meme” dos carros de empresas de telefonia, que viviam andando rápido. Veja seu histórico:

1984 – Lançamento no Brasil com o motor Fiasa 1.05 de 52 cv e 7,8 kgfm, Fiasa 1.3 à gasolina de 58 cv e 10 kgfm e Fiasa 1.3 a etanol de 60 cv e 10 kgfm. Em outubro, houve o lançamento da versão SX, com motor 1.3 de 71 cv e 10,6 kgfm. As modificações mecânicas resumiam ao carburador de corpo duplo.

1987 – Lançamento do Uno 1.5R, que sucedia a versão SX, oferecendo o mesmo Sevel 1.5 do Prêmio, mas com 86 cv e 12,9 kgfm.

1990 – Lançamento do Sevel 1.6 para o Uno 1.6R, com 84 cv na gasolina ou 88 cv no etanol e 13,7 kgfm. Também foi lançado a versão de maior sucesso da linha Uno, o Mille, inicialmente com 48 cv e 7,4 kgfm. E, por fim, foi apresentada uma reestilização frontal, exceto para o Mille.

1991 – Modificações na suspensão dianteira aumentaram a eficiência da transmissão de potência.

1992 – O 1.5 Fiasa da linha comercial passava a equipar o Uno S e Uno CS, agora com 73 cv/13,3 kgfm no álcool e 67 cv/12 kgfm na gasolina. Foi lançado o Mille Eletronic, com 56 cv e 8,2 kgfm. Lançamento do Uno CSL, com 1.6 Sevel de 80 cv.

1993 – Lançamento do Uno 1.6R MPI, com 92 cv e 13 kgfm.

1994 – Lançamento do icônico Uno Turbo, com 1.4 de 118 cv e 17,5 kgfm e da versão de “luxo” Mille ELX, com o mesmo conjunto do Eletronic.

1995 – Fim do Uno 1.6R, sucedido pelo Uno 1.6 MPI, com proposta voltada para o conforto. Motor 1.0 recebia injeção eletrônica, passando a 58 cv e 8,2 kgfm.

1996 – Simplificação da linha Uno devido ao lançamento do Palio. Restava apenas o Mille SX e o Uno furgão 1.5, que passava a 76 cv.

1997 – O Mille SX se tornava Mille EX.

2001 – O Mille SX se tornava Mille Smart, com grade reestilizda.

2002 – O motor Fiasa 1.0 é substituído pelo Fire 1.0 de 55 cv e 8,5 kgfm, que trazia maior agilidade e economia de combustível.

2003 – O Uno Furgão trocava o 1.5 Fiasa pelo 1.3 Fire.

2004 – Reestilização mais profunda, com modificações na dianteira, traseira e adoção do painel de instrumentos da segunda reestilização do Palio.

2005 – Lançamento do motor 1.0 Fire Flex, de até 66 cv e 9,2 kgfm, além de nova grade e acréscimo do marcador de temperatura do motor.

2006 – Lançamento da versão Way.

2008 – Lançamento do Mille Economy, com modificações para tornar-se mais econômico, acompanhado de reestilização leve, que mudava grades e para-choques.

2010 – Lançamento da segunda geração do Uno, em versões Vivace 1.0, Attractive 1.4, Sporting 1.4 e Way 1.0 e 1.4.


2011 – Lançamento da carroceria de 2 portas para a nova geração.

2012 – Lançamento do Uno Economy 1.4, com medidas para melhor economia de combustível.

2013 – Lançamento da série especial de despedida da primeira geração, Grazie Mille, que era essencialmente o Mille Economy com todos os opcionais disponíveis, acabamento e painel de instrumentos exclusivo.

2014 – Lançamento da segunda geração do Uno Furgão, baseado na segunda geração, com 1.0 e 1.4.

2014 – Reestilização da segunda geração, com frente, traseira e interior renovado. Ganhava a transmissão automatizada Dualogic e start-stop na versão Evolution. A versão Vivace ainda permanecia com a carroceria anterior.

2016 – Passa a ser equipado com os motores 1.0 Firefly de até 77 cv e 10,9 kgfm e 1.3 Firefly de até 109 cv e 14,2 kgfm. Ganha reestilização leve e opção de central multimídia.

2019 – Retorno do motor Fire 1.0 na versão Attractive.

2020 – Fim de produção das versões com motor Firefly.

2021 – Fim de produção do Uno.

O Uno se despede com a sensação de dever cumprido, deixando a bola do segmento de entrada para Mobi e Argo, que cumprem bem o papel de veículo de entrada, seja para uso pessoal, seja para uso comercial. Apesar de sua morte, deixa três derivados diretos: o subcompacto Mobi, o furgão Fiorino (que pode gerar um derivado para a Peugeot) e a segunda geração da Strada, que é derivada direta do Mobi. Adeus Uno!

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